terça-feira, 23 de março de 2010

Sem água não há vida


Sem água não há vida, diz um adágio popular, procurando traduzir, em poucas palavras, a ideia de que a água é essencial para a vida humana - para a saúde básica e sobrevivência, bem como para a produção de alimentos e prática de actividades económicas orientadas  para a geração de rendimento.

Infelizmente, não obstante os esforços que estão sendo desenvolvidos em todo mundo para que mais pessoas tenham acesso a água, comemoramos mais um 22 de Março, o Dia Mundial da Água, com dados assustadores, no que se refere as estatísticas mundias de pessoas que continuam a ter restrições a este precioso líquido. Mais de mil milhões não tem acesso a água limpa em todo o mundo e mais de dois milhões não têm acesso a um saneamento básico, oque constitui principal causa de várias doenças, sobretudo nas crianças.

Em Moçambique, dos cerca de 20,3 milhões de habitantes, menos da metade tem, actualmente, acesso à água potável. Deste grupo, as crianças continuam a ser o grupo que mais sofre com doenças contraidas devido ao consumo de água imprópria.

Dados das Nações Unidas indicam que em Moçambique, cerca de 49% das crianças encontram-se privadas do consumo de água e 47 de saneamento, sendo que nas zonas rurais as privações chegam a atingir a fasquia dos 60%.

Estes dados tornam um imperativo o desancadear de acções com vista a providenciar às comunidades este precioso líquido cuja a essência está e estará sempre ligada a vida. O acesso a água é um direito fundamental e inadiável, pois constitui um pré-requisito para realização de outros direitos humanos.

A FDC iniciou o ano 2010 procedendo a entrega formal de infra-estruturas básicas para o fornecimento deste precioso líquido as comunidades de Mungazine e Hindane, no Distrito de Matutuine. Ora, mais do que entrega formal de infra-estruturas básicas, esta acção constitui um grande contributo para que aquelas comunidades vivam com o mínimo de dignidade, pois, agora, é possível para as crianças, mulheres e idosos de Mungazine e Hindane regarem a vida com segurança e olharem para o futuro com mais esperança. São estes, e outros gestos, que iluminam a visão da nossa organização que coloca sempre a dignidade humana no centro de qualquer acção.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Graça Machel critica metas de formação de cientistas

A PRESIDENTE da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), Graça Machel, critica os planos do Governo moçambicano de formar apenas 6500 cientistas até 2025 no quadro da estratégia do Executivo para o desenvolvimento do país.
Para Graça Machel, que falava segunda-feira, em Maputo, na Palestra Anual sobre Saúde Global, promovida pela Fundação Manhiça, estas metas são "inapropriadas" e "inaceitáveis", porque (só para dar exemplo) 6500 cientistas é o que a África do Sul forma por ano.
“Ter 6500 cientistas até 2025 no país é pouco. Não se vai sair da pobreza se não se apostar na massa cinzenta dos jovens. O Governo deve prestar especial atenção à formação de recursos humanos. Portanto, tem que formar massivamente os seus quadros”, defendeu.
Neste momento Moçambique conta com cerca de mil cientistas nas várias áreas de especialidade, um número considerado exíguo, dados os desafios de busca de conhecimento para a erradicação da pobreza.
“É possível ter recursos humanos à altura das necessidades do país. Mas o que falta é uma visão estratégica de formação de quadros. Os números que prevemos até 2025 são totalmente inapropriados e inaceitáveis”, afirmou.
Na ocasião, Graça Machel sublinhou que é altura de Moçambique começar a preocupar-se em desenhar políticas que visualizem o seu futuro.
Para ela, é um bom começo que o país pense no combate à pobreza, mas neste momento o erro reside no facto de se ter um visão de curto prazo.
“Precisamos pensar no futuro. Por exemplo, é preciso verificar se o aluno que formamos hoje quando entrar para a actividade produtiva vai se comparar ao Homem do mundo. Isto tem a ver com a forma como nós nos estruturamos desde a base até à sociedade do conhecimento”, referiu.
Outra questão abordada por Graça Machel na palestra foi a fuga de cérebros, tendo proposto a atribuição de estímulos para que os quadros possam permanecer nas áreas académica e de investigação.
Ela deu exemplo de um jovem moçambicano que se encontra a estudar em Barcelona com quem se cruzou e a questionou: depois da formação quando regressar a Moçambique o que vou fazer se não existem condições para continuar os trabalhos de investigação e pesquisa, como laboratórios.
"Paralelamente à formação é preciso que as condições de trabalho e materiais sejam colocadas aos quadros. É um investimento que vai fazer o país sair da pobreza”, disse.
Graça Machel, viúva do primeiro Presidente de Moçambique independente (Samora Machel) e actual esposa do ex-Presidente sul-africano (Nelson Mandela), sugeriu igualmente a atribuição de incentivos às empresas moçambicanas para apostarem na investigação, tendo avançado que para o caso das multinacionais que operam no país devia haver alguma obrigatoriedade das mesmas fazerem investigação.
Desta forma, segundo explicou a presidente da FDC, os quadros moçambicanos seriam melhor aproveitados e o país produziria conhecimento comprovadamente válido.
Para Graça Machel, o Centro de Investigação em Saúde da Manhiça é um exemplo de produção de conhecimento em Moçambique cuja experiência deveria ser replicada pelo resto do país.
Fonte: J. Notícias, 26 de Fevereiro de 2010

terça-feira, 9 de março de 2010

MULHER RURAL EXIGE DIREITOS E OPORTUNIDADES IGUAIS


Em comemoração do 8 de Março, dia mundialmente consagrado para as mulheres, o Fórum Moçambicano das Mulheres Rurais (FOMMUR), coordenado pela Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), juntou numa das salas de conferência da cidade de Maputo, cerca de uma centena de mulheres rurais com objectivo de reflectir sobre o passado, o presente e o futuro das mulheres enquanto actoras do sector produtivo.
Marta Cumbi, Coordenadora da Unidade de Género e Cooperação da FDC, destacou a necessidade do mundo mudar na forma de encarar a mulher, pois, segundo ela, “já está provado que as mulheres tem capacidades para contribuir para o desenvolvimento da humanidade independentemente do lugar onde se encontram, sendo que para que isso aconteça com sucesso, elas devem se organizar e serem mais determinadas”.
No encontro, em que se fizeram presentes representantes dos movimentos associativos dos distritos de Boane, Ressano Garcia, Manhiça e Marracuene, ficou patente que a fraca formação continua sendo um dos grandes obstáculos que limita a participação da mulher nos processos de tomada de decisão. A título de exemplo, Lucilia Malache, representante da Associação de Mulheres Rurais (MUR) do distrito de Ressano Garcia, mostrou-se preocupada com o facto da mulher rural ver limitada a sua participação nos Conselhos Consultivos Distritais (CCDs) pelo facto de não se expressarem na língua portuguesa. Muitas receiam apresentar as suas ideias daí que quando são convidadas vão apenas para assistir.
Durante os debates, ficou patente que as questões culturais continuam a ser um dos grandes entraves, que impedem a mulher de participar na vida política, económica e social ao nível dos distritos.
As participantes destacaram o facto de tal como as mulheres que no dia 8 de Março foram violentadas por exigirem entre outras questões, a redução de horas de trabalho, a mulher rural continua a ver o seu contributo não reconhecido na sociedade. Aliás, as mesmas destacaram o facto de passarem a maior parte das suas vidas sendo excluídas no acesso aos recursos, como a terra (DUAT), água, crédito, serviços de saúde, educação entre outros, daí que consideram ter razões mais do que suficientes para compreender e abraçar as causas das mulheres que levaram à consagração do “Dia Internacional da Mulher”.
De recordar que esta data comemora-se em todo o mundo pelo facto de no dia 8 de Março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, na cidade de Nova Iorque, reivindicando melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de 16 para 10 horas, melhores salários (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho, foram violentamente reprimidas e de seguida incendiadas dentro de uma fábrica, sendo que cerca de 130 perderam a vida carbonizadas, num acto totalmente desumano. A data foi oficializado pelas Nações Unidas em 1975.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

FDC INICIOU O ANO NO DISTRITO DE BILENE


Com objectivo de refletir sobre as actividades do ano passado e coordenar as actividades de 2010, membros da Direcção Executiva da FDC, gestores e outros convidados fizeram um retiro de dois dias, na praia do Bilene, em Gaza. Na abertura, Narciso Matos, Director Executivo destacou a necessidade das diferentes direcções interagirem mais, alinharem as actividades de modo a tornar a organização mais eficiente e eficaz nos seus resultados. No encontro, ficou definido que as organizações devem elaborar documentos de orientação de modo a permitir melhor articulação e prestação de contas  no desempenho de cada colaborador, direcção e da organização no geral.

Mulheres rurais rasgam barreiras que impedem o seu desenvolvimento em Boane


 Traçar estratégias para reduzir o nível de dependência da mulher rural, buscar formas de reduzir as dificuldades que esta tem enfrentado no acesso ao crédito bancário e problemas ligados ao Direito do Uso e Aproveitamento da Terra (DUAT), figuram como desafios das mulheres filiadas na União das Associações dos Camponeses de Boane (UACB).


Estas mulheres dedicam uma parte do seu tempo ao Projecto Escola na Machamba onde aprendem e colhem várias experiências para a implementação de novas técnicas agrícolas e desenho de projectos para obtenção de créditos bancários.     

UACB é composta por 32 associações, das quais, 24 estão registadas e, conta com 7.768 membros, na sua maioria mulheres. Neste momento, “pretendemos que as restantes associações, possam ver os seus direitos protegidos através do registo”- Lina Macia, Presidente da União.

Um outro desafio apontado pela presidente visa desenhar projectos para o acesso a empréstimos não só no Fundo de Iniciativas Locais, vulgo sete milhões, assim como em qualquer banco, de forma a tornar as suas actividades mais sustentáveis.
 
Associação Cape-Cape: formação é o instrumento de combate da mulher rural
A UACB conta com os préstimos da Associação Cape-Cape, que para além de desenvolver a actividade agrícola, tem lutado pela formação da mulher rural em várias vertentes, com particular destaque para a capacitação em matérias ligadas ao Direito do Uso e Aproveitamento da Terra (DUAT).

Com a intervenção de algumas organizações que apoiam iniciativas que visam a defesa do direito a terra, caso da ORAM, os camponeses viram os seus direitos protegidos. Com o direito de uso da  terra garantido, os membros da Associação Cape-Cape, composta maioritariamente por mulheres, procuraram desenvolver outras actividades como a criação de frangos, actividade iniciada em 2005, como forma de reduzir a dependência exclusiva a agricultura.
 
Na altura, uma das dificuldades enfrentadas por estas mulheres foi a falta de experiência e de infraestruturas para o início da criação de frangos. O pagamento de cotas foi uma das saídas, tendo servido apenas para a construção das capoeiras, o que levou os membros a recorrerrem a um empréstimo no valor de 74 mil meticais do Fundo de Iniciativas Locais, em 2007.

A associação Cape-Cape trabalha na produção de alimentos e plantas medicinais, que são comercializados nos mercados de Boane e Maputo. “Graças ao valor de venda dos produtos que a nossa associação arrecadou em 2008, conseguimos devolver o dinheiro do empréstimo e agora estamos a trabalhar com meios próprios”- Cristina Inguana, vice-presidente.

Uma das grandes iniciativas desta Associação é o projecto Escola na Machamba. Segundo Inguana, este projecto veio dar uma nova visão as mulheres rurais no que se refere aos problemas ligados ao DUAT e a prática da actividade agrária no geral. “Hoje graças às mulheres que têm liderado este trabalho, as nossas vidas melhoraram muito. No que se refere ao trabalho agrícola, a associação Cape-Cape conseguiu comprar um tractor que tem facilitado muito as nossas actividades e já não praticamos a agricultura de subsistência pois, conseguimos alimentar vários mercados”.

A associação tem cerca de 750 membros, sendo 600 mulheres e os restantes são homens. Para além das actividades acima indicadas, esta associação desenvolve programas de luta contra o HIV/SIDA, violência doméstica, entre outros.


De Associação das Mulheres do Canto e Dança para para pequenas empresárias de reciclagem 
Outra associação que se destaca na UACB, é a das Mulheres de Canto e Dança, criada em 1992, e que em 2007 com a introdução do Fundo de Iniciativas Locais, vulgo sete milhões, decidiu agregar no canto e dança, as actividades de corte e costura.

Tendo iniciado as suas actividades com uma máquina de costura, actualmente conta com duas, o que melhorou as suas actividades, dando assim, espaço para as mulheres se desenvolverem. Inicialmente apenas 12 mulheres faziam parte do projecto, mas actualmente 23 mulheres vem desenvolvendo as mais variadas actividades, entre elas corte, costura e venda dos produtos manufacturados- Fátima Matsava, Presidente.

Outro projecto abraçado pelas mulheres rurais de Boane é o de reciclagem de sacos plásticos. Este projecto surgiu há cerca de 6 meses, como uma actividade alternativa a prática da agricultura, sobretudo na epoca de baixa produção. Como forma de de buscar alternativas, um grupo composto por 24 mulheres recebeu um convite de uma organização não governamental, que em parceria com o Projecto Escola na Machamba capacitou aquelas mulheres em matérias ligadas a reciclagem dos sacos plásticos.

O que muitos pensam que é lixo, para nós é matéria-prima e graças ao plástico colectado nas vias públicas e nas lixeiras nós fabricamos panos de mesa, cortinas da casa de banho, aventais, carteiras, sacolas e outro tipo de utensílios domésticos e, reduzimos assim, os efeitos negativos que o plástico provoca ao solo e que também prejudica a nossa actividade agrícola”- Judite Rodrigues.

As mulheres que se dedicam a esta actividade queixam-se, todavia, da falta de mercado para a comercialização dos seus produtos, em decorrencia de estes serem ainda incomuns nos mercados de Boane e Maputo (e não só). Contudo, reconhecem que este trabalho mudou as mentes dos associados, na medida em que aprenderam não só a dar mais valor à mulher e ao trabalho que fazem, como também a valorizar ao que outrora era considerado desperdício, a tirar proveito disso para produzir ideias inovadoras. Apontaram que um dos objectivos desta associação é conquistar o mercado nacional e ter o seu próprio espaço para desenvolver esta actividade de transformar em arte o que muitos pensam que é lixo.



Estes são alguns bons exemplos de como as mulheres rurais estão fazendo frente a pobreza. Umas com
enxadas, outras com a arte e cada uma como pode, elas vão ultrapassando os seus próprios limites e rasgando as barreirras visíveis e invisíveis sempre num espirito de interajuda e de partilha de experiências. Este é o espirito que levou a Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC) em parceria com outras organizações a apoiarem a criação do Forúm Moçambicano de Mulheres Rurais (FOMMUR), que em 2009 juntou cerca de 1.000 mulheres rurais no distrito de Boane, precisamente na Machamba Escola com objectivo de celebrar estas e outras conquistas.

Em colaboração com Aida Matsinhe (Magazine Independente)

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

País com laboratório de ensaios virado à mulher

O DESENVOLVIMENTO de investigação na área de microbicidas no país é já um facto. Um passo conducente a este propósito foi marcado pela inauguração recentemente, do laboratório que vai permitir ensaios em mulheres, através de um gel usado para a prevenção do vírus do HIV.
O equipamento laboratorial foi montado no Centro de Saúde Primeiro de Junho, no bairro Ferroviário, em Maputo e tem como vocação assistir mulheres. Contudo, não está vedada a assistência de populares daquela zona residencial e arredores.
A presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade, Graça Machel foi quem presidiu a cerimónia inaugural e na altura apelou para a necessidade de se levar com seriedade a materialização dos ensaios clínicos que têm início ainda este ano.
O equipamento está instalado em três salas e permitirá a realização de análises gerais de bacilocopia, processamento de exames de corrimento vaginal, que vai auxiliar o projecto de investigação, para a qual já estão disponíveis pelo menos 500 mulheres.
Microbicida é uma substância que pode reduzir consideravelmente a transmissão por infecções sexualmente transmissíveis, quando aplicada na vagina e no recto. Como os espermicidas, o microbicida pode ser produzido de várias formas, incluindo gel, cremes, supositórios, ou na forma de esponja ou de anel vaginal que liberem lentamente os ingredientes activos a todo o momento.
Pouco mais de 15 mil dólares norte-americanos é o montante que a Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade disponibilizou para a concretização da iniciativa.

MASSIFICAR A TESTAGEM

Entretanto, a presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade, Graça Machel falou da necessidade de massificaçao da testagem voluntária pois, Moçambique consta da lista dos dez países mais infectados do mundo. A este propósito, indicou o fim da estigmatização como forma de reduzir os índices de infecção pelo vírus da SIDA.
Espera­-se que o apetrechamento do novo laboratório venha melhorar as condições de atendimento aos utentes que procuram serviços de saúde e ainda a melhoria da qualidade dos exames até então realizados.
Para além de moradores do bairro Ferroviário, o laboratório vai beneficiar também os moradores de Hulene A e B, Laulane, 3 de Fevereiro, Mahotas e Magoanine que compõem o Distrito Urbano número 4 (DU4).
Cientistas estão constantemente a testar a existência de espermicidas e outras substâncias para testarem a sua eficiência na prevenção da propagação das DTS, HIV/SIDA. As pesquisas são realizadas em torno de 50 produtos, dos quais, no mínimo 20 têm efectividade comprovada em animais e estão, no momento, a ser testados em pessoas. Com um investimento suficiente, um microbicida pode se tornar viável para o consumo dentro de cinco anos.
Microbicida é um termo genérico que inclui um vasto leque de produtos, cuja função comum é prevenir a infecção pelo HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis. Contudo, pode se dizer que há tantos mecanismos de acção como potenciais produtos. Alguns microbicidas funcionam aumentando as defesas naturais do organismo, outros, introduzem novas substâncias que destroem os que causam doenças e outros ainda criam uma barreira física. Os mais prometedores combinariam algumas ou todas estas características.

Fonte:. J. Notícias, Edição de 5 de Fev.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Matutuíne: Melhora acesso à educação e saúde


AS POPULAÇÕES da localidade de Mungazine e do povoado de Hindane, em Matutuíne, Província do Maputo, vão ganhar com as melhorias no acesso aos serviços de saúde e educação, com a abertura ontem de um novo centro de Saúde do tipo II, a ampliação da Escola Primária local e a abertura de dois furos de água. 
Trata-se de acções realizadas no âmbito do projecto de Habilidade Básica Integrada do distrito de Matutuíne, uma iniciativa da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC) em parceria com a Fundação CEAR, uma organização espanhola que trabalha nas iniciativas de desenvolvimento comunitário.
No geral, a iniciativa tem como enfoque o melhoramento do acesso aos serviços de educação básica, cobertura dos serviços de saúde pública, água potável e saneamento, aperfeiçoamento das condições de habitação, promoção de actividades de geração de renda e segurança alimentar.
Com efeito, o centro de saúde rural tipo II é composto por um edifício para atendimento externo e maternidade, depósito elevado, duas residências tipo dois para o pessoal técnico, latrinas, fossa de lixo orgânico, sistema de drenagem e vedação.
A ampliação da escola consistiu na construção de mais três salas de aulas, totalizando cinco, a colocação de carteiras, construção de quatro casas para professores, igual número de latrinas, dois tanques semi-enterrados e quatro cozinhas, obras avaliadas em 450 mil dólares norte-americanos, provenientes da Fundação CEAR.
Espera se que as obras venham a servir directamente cerca de 2000 habitantes daquelas duas comunidades que, segundo o administrador de Matutuíne, Mário Bombi, enfrentavam dificuldades no acesso àqueles serviços.
As pessoas eram obrigadas a percorrer mais de dez quilómetros para aceder a uma unidade sanitária na sede do distrito e a escola não possuía condições adequadas para acolher os mais de 250 alunos existentes naquelas zonas”, afirmou Bombi, para quem estas são as primeiras infra-estruturas de raiz a serem erguidas naqueles povoados, daí a necessidade de serem conservadas por forma a beneficiarem mais utentes.
Para a Presidente da FDC, Graça Machel, o projecto abrange outras áreas, com destaque para a de segurança alimentar que facilitou a criação de associações locais e a montagem de campos de multiplicação e demonstração de resultados das culturas resistentes à seca, nomeadamente a mandioca, amendoim, feijão nhemba e abacaxi, numa área de oito hectares. 
Acrescentou que para melhorar a preparação de solos e a abertura de novos campos foram adquiridas e entregues sete juntas de bois com as respectivas charruas e cangas a sete grupos de camponeses, animais que já estão a fazer o trabalho de lavoura com vista a permitir a criação de condições para a melhoria da dieta alimentar da população.